terça-feira, 24 de julho de 2007

"De madrugada, ainda escuro... "




Em fevereiro deste ano, fui a São Paulo. Preparei-me financeira e emocionalmente pra viagem durante os cinco meses anteriores sem nem mesmo ter certeza se ia. Condicionei meu "ir" ou não à possibilidade de conseguir uma companhia. Não queria ir pra tão longe sozinho... nunca viajei sozinho. Té que "coincidentemente" uma amiga de trabalho me disse que ia exatamente no período em que eu planejava partir e voltar. Nem precisei agradecer a Deus pela boa-nova, o nome da minha companheira de viagem já era Aleluia. Olhei pra ela, e com um largo sorriso, gritei seu nome! Morremos de rir em seguida!


Tive de renunciar muitos prazeres cotidianos como sair aos domingos depois da igreja com a família (e quando digo família, ninguém me imagine com minha esposa e uma "penca" de meninos, não... sou solteiro... no caso, minha família são meus pais e irmãos) pra comer um sanduba no Tatá ou uma pizza hut no shopping. Abri mão de comprar os presentes natalinos (meus presentes natalinos, rsrsrs) pra economizar o "décimo" e paguei o cartão sem "mínimo" pra enchê-lo ao máximo na Terra da Garoa. As emoções também estavam ferventes. Iria participar de um retiro carnavalesco num lugar campestre lindíssimo, uma espécie de vale no qual pra onde quer que se erguesse o olhar contemplávamos as montanhas, cuja programação seria toda realizada pelo meu grupo musical favorito, o Grupo Logos. E quem me conhece sabe que esse fato por si só já era o suficiente pra me deixar super feliz e nervosíssimo, tanto que durante o tempo por lá cheguei a ser convidado a cantar com a banda deles e "amarelei"... tava tão emocionado que inventei uma desculpa e me escondi. Uma das maiores frustrações da minha vida! Uma das, porque teve outra: esqueci de levar a máquina fotográfica. Voltei sem uma foto da viagem... só eu mesmo! Ah, antes de continuar, preciso esclarescer que durante o carnaval me retirei em São José dos Campos. D'outra forma o leitor certamente pensaria que eu estava devaneando falando de um vale idílico cercado de montes em plena cidade de São Paulo!


Existiam outras motivações também, como um amigo paulista que conheci virtualmente pelos orkuts e msn's da vida, e que agora desejava com ardor abraçá-lo pessoalmente. Muita coisa interessante aconteceu na passagem deste cearense matuto pela maior cidade da América do Sul. Mas todo e qualquer fato que tenha ocorrido na minha aventura, perde em hilaridade pro que vou contar a partir de agora.


Quando já estávamos aterrizando em Congonhas (ai que medo!), logo depois do aviso de "apertem os cintos, vamos pousar" (lembrei agora do lindíssimo Samba do Avião, Tom Jobim) ouvimos pelo sistema de som da aeronave uma conhecida melodia cantada à capela. Uma voz meio desafinada e familiar que cantarolava: De madrugada, ainda escuro, eu já buscava a face do Senhor. Senhor, Senhor... tem compaixão de mim, resolve os meus problemas, os entrego hoje a Ti". Nossa... eu e Aleluia nos regozijamos! Pensamos: o piloto deve ser um cristão fervoroso, ou o dono da empresa aérea (a TAM, ai que medo 2!) podia ter se convertido... E o momento era tão oportuno...era realmente madrugada quando aterrizamos. Nós nos emocionamos, oramos junto com a melodia que chegou a ser repetida três vezes antes do pouso e verdadeiramente entregamos a Deus, como dizia a música, nossa estadia naquele lugar. Que benção! Os passageiros até ficaram olhando pra nós e rindo do nosso "ar" de contentamento e alegria.


Já em terra firme, pegamos um táxi e fomos direto pro apartamento da Verinha, amiga da minha amiga (e agora, minha amiga também), onde ficamos hospedados. Não perdemos tempo. No mesmo dia já estávamos "batendo perna" na cidade procurando os dias e horários em que os principais museus da cidade estariam abertos a visitação. Aliás, visitamos um deles, o Museu da Língua Portuguesa que fica "embutido" na histórica Estação da Luz que, meu Deus... coisa linda mesmo! Ouvimos a gravação de versos de Camões (acho que era) na voz da Bethânia... um luxo! Me emocionei muitíssimo!


Voltamos pra casa, já tarde e, cansados, adormecemos. Durante o sono sonhei estar ouvindo a mesma melodia na voz desencontrada da cantora: De madrugada, ainda escuro... Que sonho que nada! Era o celular da mãe (que eu tinha levado em lugar do meu) que estava no alarme despertador e mesmo desligado ainda alardeava. A voz era da própria, que tinha gravado seu desafinado canto (minha mãe nunca soube cantar) a fim de acordar de madrugada pra regar o jardim e orar. Que loucura! Contei pra Aleluia naquela mesma manhã o acontecido... por isso a galera do avião ficou olhando pra gente na hora do "show" e rindo. Ora, eu tinha desligado o celular, nunca imaginei que fosse ele a fazer o barulho glorioso. O pessoal deve ter olhado pra mim e dito: esse bicho é matuto mesmo, não sabe que se deve desligar os telefones dentro do transporte aéreo?!


De qualquer forma, acredito ter sido esse o único jeito que Deus encontrou pra entregarmos nossos caminho a Ele em terras tão distantes, kkkkkkkkk.... Ao falar da comédia com a mãe por telefone, ela que é a mais corajosa e extrovertida evangelizadora que conheço, deu uma interpretação diferente e bem melhor que a minha sobre o acontecido: Meu filho, esse foi o único jeito que Deus encontrou de vocês testemunharem de Sua Palavra naquele avião!




4 comentários:

Rosane de Castro disse...

Oi, Vitinho!
Adorei essa história e o seu blog. Parabéns. Pode estar nascendo um grande escritor, crônista. Deus sabe. Beijo e todo meu amor.

João Eduardo Cruz disse...

Cara você manda muito bem. Sou teu fã.
Quando publicar tuas crônicas me chama pra prefaciar hehehehe

carlinha disse...

ameeei!!!!!muito bom mesmo,nota 10000..
como eu ja disse antes,vc da para escrever um livro...sou dus fa tb.
bjao e fica bem.

wejsfdsçi disse...

Adorei sua forma de escrever. Passa coragem. Bjus rebeca!